QUESTÃO 1
Considere o excerto a seguir:
Leio no jornal a notícia de que um homem morreu de fome. Um homem de cor branca, trinta anos presumíveis, pobremente vestido, morreu de fome, sem socorros, em pleno centro da cidade, permanecendo deitado na calçada durante setenta e duas horas, para finalmente morrer de fome. Morreu de fome. […]
O corpo do homem que morreu de fome foi recolhido ao Instituto Médico Legal sem ser identificado. Nada se sabe dele, senão que morreu de fome.
Um homem morre de fome em plena rua, entre centenas de passantes. Um homem caído na rua. Um bêbado. Um vagabundo. Um mendigo, um anormal, um tarado, um pária, um marginal, um proscrito, um bicho, uma coisa – não é homem. E os outros homens cumprem seu destino de
passantes, que é o de passar. Durante setenta e duas horas todos passam, ao lado do homem que morre de fome, com um olhar de nojo, desdém, inquietação e até mesmo piedade, ou sem olhar nenhum. Passam, e o homem continua morrendo de fome, sozinho, isolado, perdido entre os
homens, sem socorro e sem perdão. […] E o homem morre de fome. De trinta anos presumíveis. Pobremente vestido. Morreu de fome, diz o jornal. […]

Fernando Sabino. “Notícia de jornal”. A mulher do vizinho. 17 ed. Rio de Janeiro: Record, 1997. Disponível em: . Acesso em: 22 mar. 2016.

A crônica aborda um fato que ocorreu no passado. No entanto, o verbo morrer, em destaque, aparece empregado tanto no pretérito perfeito do indicativo quanto no presente. O emprego desse verbo no presente do indicativo:

a) mostra a intenção de ir além da notícia, revelando que esse fato, apesar de um infortúnio, é comum.
b) revela que o autor confundiu-se, pois ele narra um fato já ocorrido: o homem já tinha morrido.
c) revela que a crônica foi escrita no dia exato em que o homem morreu, sendo ainda o tempo presente.
d) confunde o leitor, que fica sem saber exatamente se esse fato estava acontecendo ou se era passado.
e) mostra que o narrador trata de duas mortes ocorridas por fome: a do passado e a do presente.

Resposta correta: A
O uso do presente revela a intenção do autor em trazer o fato para o tempo atual, mostrando que isso ocorre sempre (não é apenas um homem que morre). A frase “ao lado do homem que morre de fome” traz a situação para um tempo real, pois dá a impressão de que o homem morre em um processo; o tempo presente, nesse caso, tem valor durativo. Dessa forma, o autor demonstra sua indignação com a natureza humana, com as pessoas que veem o sofrimento alheio, porém não se dispõem a ajudar. Além disso, demonstra que esse fato não ocorreu uma vez, mas é, infelizmente, comum no dia a dia.

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